Durante o Inverno de 1934/35 na Freguesia dos Rosais, um grupo de pessoas, maioritariamente jovens, ensaiava um espectáculo que haveria de ser apresentado no dia da Padroeira da Freguesia. Em Janeiro de 1935, num destes ensaios, alguém levantou a voz para informar que o Mestre Raul Pereira Góis, então mestre da Filarmónica de Santo Amaro, tinha rescindido contrato com a mesma. Surgiu então a oportunidade de se criar uma Filarmónica na Freguesia dos Rosais,
O grupo de jovens meteu pé ao caminho e seguiu para Santo Amaro, a fim de convidar o mestre Raul. Convite feito, convite aceite, embora com algumas condições impostas, as quais passavam por disponibilização de uma moradia de habitação familiar, bem como um moio de milho anual, lenha para o uso doméstico e transporte dos seus pertences de Santo Amaro para Rosais.
As condições foram aceites pelos Rosalenses que solicitaram à família Oliveira a cedência da casa onde ensaiavam para habitar mestre Raul e sua família. Em Fevereiro de 1935, chega a Rosais o mestre Raul. De imediato, abriu a primeira escola de música da Freguesia, de onde saíram os primeiros vinte músicos. Estes para integrarem a escola de música tinham de pagar 100 escudos, ficando com a categoria de sócio-fundador, mais o compromisso de pagar uma quota mensal de 2,5 escudos, sendo que estes valores eram para fazer face às despesas com o petróleo para as petromax’s que alumiavam os ensaios, o papel pautado e a tinta para copiar as músicas. Para além destas despesas, os músicos contribuíam também com três alqueires de milho, por ano, destinados ao sustento do Mestre da Filarmónica e sua família.
Por falta de sede própria, a escola de música peregrinou por vários locais da Freguesia, tendo-se estabelecido mais tarde no Império do Espírito Santo.
Partiu-se então para outra fase. O grupo de jovens dividiu-se, tendo um deles ficado com a responsabilidade de angariar fundos para a compra de instrumentos musicais – compra em segunda mão feita pelo Sr. José Vieira Sequeira, na cidade de Lisboa, foram adquiridos 20 instrumentos pelo valor de 20000 escudos, sendo os mesmos, quatro clarinetes, dois trombones, dois bombardinos, dois contra baixos, duas trompas, quatro cornetins, um saxe, uma caixa, pratos e bombo. O novo instrumental, 32 instrumentos, foi adquirido somente em 1987, tendo o mesmo sido cedido pelo Governo Regional dos Açores, sendo na altura o Presidente, Mota Amaral.
A vontade era tal em fundar a banda filarmónica que, embora se vivessem anos de grande recessão económica, rapidamente se conseguiu o valor necessário para a aquisição dos instrumentos – valor totalmente concedido pelos habitantes de Rosais.
Entretanto, para que se pudessem iniciar os trabalhos de aprendizagem, foram pedidos, a título de empréstimo, alguns instrumentos à família da Viscondessa de Velas, pois guardava o instrumental que fora da Filarmónica da família.
Em vésperas do Sábado da Trindade, dia 15 de Junho de 1935, quis este grupo de jovens músicos estreantes apresentar-se à população da Freguesia, fazendo a sua actuação no adro da Igreja, em pleno arraial da Trindade.
Imagina-se o pasmo e emoção de tantos olhos molhados vendo a realização de um sonho!
Ainda durante 1935 iniciou-se a angariação de materiais, cedidos pela população de Rosais, para a construção da primeira Sede desta Filarmónica, tendo sido totalmente construída sem qualquer apoio do Estado. A obra seria inaugurada dois anos depois.
Já no ano de 1938 foram aprovados oficialmente os primeiros estatutos da Instituição, por sua Ex.ª o Governador Civil de Angra do Heroísmo, Dr. Carlos Alberto de Oliveira.
A crise sísmica de 1964 – que arrasou a Freguesia dos Rosais – provocou a destruição da Sede da Filarmónica União Rosalense, tendo a mesma, no âmbito da reconstrução, sido ampliada, já com a colaboração estatal e contributo de muitos mecenas.
Atualmente (2022) a Direção da Sociedade União Rosalense, luta com algumas dificuldades, especialmente recursos humanos que permita que se mantenha de pé este projecto sócio-cultural de valor imprescindível para a Freguesia dos Rosais.
Músicos em 1935:
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