As Festas do Divino Espírito Santo nos Açores remontam aos primórdios do povoamento no arquipélago e constituem um dos mais elucidativos testemunhos de fé do Povo Açoriano.
Estas festividades tiveram origem em Portugal Continental (provavelmente com a Rainha Santa Isabel) e foram introduzidas nas ilhas atlânticas pelos primeiros povoadores. Mas, e uma vez no microcosmo insular sujeito a sismos e a erupções vulcânicas, foram adquirindo características únicas, em que o profano muitas vezes se mistura com o sagrado numa genuína demonstração da cultura popular.
Todas as Ilhas dos Açores têm a sua forma muito peculiar de celebrar estas festas, sendo de realçar a Ilha de Santa Maria, Terceira, São Jorge e Pico, onde o carácter extrovertido e festeiro do Açoriano se manifesta de uma forma mais acentuada.
Na Freguesia dos Rosais o primitivo Império do Espírito Santo ficava localizado no lado sul da Igreja Paroquial do outro lado do caminho, tendo posteriormente sido construído o atual e novo Império em outro local do Largo da Igreja, sendo a sua frontaria decorada com grandes janelas e encimado por uma coroa do Espirito Santo. Na lateral do edifício, existe a copeira, utilizada na altura da Mordomia, para guardar os bolos de véspera, os tremoços e o vinho, que são distribuídos durante a Ramada.
Dentro do Império, existe um altar onde são guardadas as Coroas e restantes insígnias do Senhor Espírito Santo, durante o ano. Este edifício, à semelhança do que acontece nos Açores em geral, possui uma dimensão pequena,sendo basicamente a “casa das Insígnias do Espírito Santo”.
Este Império do Espírito Santo é utilizado para todas as actividades inerentes ao culto do Divino Espírito Santo, em diversas ocasiões e festividades ao longo do ano, com maior incidência no período a seguir à Quaresma.
Festa do Espírito Santo – Neste contexto, o sábado do Espírito Santo e da Santíssima Trindade são comemorados na freguesia com a realização das mordomias, sendo estas realizadas pela população da freguesia que anualmente nomeia os 10 subsequentes vizinhos, de um ano para o outro, denominados “mordomos”, estes são responsáveis pela organização da festa, que consiste na distribuição de massa doce “biscoito” e o famoso queijo de São Jorge, vinho de cheiro e sumo “refrigerante”, durante todo o dia a todos os que aparecem, enquanto se ornamentam os peculiares e únicos carros das bandeiras, que no domingo acompanham o cortejo, este que é da responsabilidade do Imperador que normalmente por promessa ao Divino Espírito Santo, após uma semana a alumiar as coroas, com a reza diária dos terços, leva estas à igreja. Sendo posteriormente distribuído aos convidados as tradicionais sopas do Espírito Santo e como sobremesa as papas de arroz “arroz doce”, sendo que no decorrer da tarde, com os carros das bandeiras expostos em frente ao coreto, decorre entre o Império e a Igreja a chamada ramada, representada pelos denominados cavaleiros, que passeiam e apresentam diversos artigos da gastronomia rosalense, ao toque de um tambor e cânticos dos foliões, alusivos a estas festividades.
Ao final da tarde são distribuídos a todos os presentes um bolo de véspera, o qual é da responsabilidade da mordomia e que foram doados para efeito pela população da freguesia.